7 dicas para você (re)começar uma Comunidade WordPress local

Se você leu o primeiro artigo dessa série, já sabe que meetups são encontros informais de troca de conhecimento. Os da comunidade WordPress ao redor do mundo costumam ser gratuitos e mensais, organizados pelas comunidades de cada cidade. Em todos os que eu fui, houve duas palestras, uma sobre um tema que não envolvia código e outra específica para desenvolvedores.

Já os WordCamps são conferências que duram pelo menos um dia, e para entrar você compra um ingresso – mas o valor nunca chega a R$100, e normalmente inclui almoço, além de ter vários brindes. Quem realmente não tem condições de pagar ingresso pode tentar falar com a organização, ou ser voluntário. No ano passado, fui voluntária no WordCamp São Paulo e a organizaram tudo para cada voluntário conseguir assistir a pelo menos uma palestra.

As necessidades básicas de ambos os eventos são:

  1. Local
  2. Palestrantes
  3. Plateia

Se você tiver apoio de empresas, pode até conseguir um coffee break (lanche, ou até biscoitos e café) para o pessoal pesticar entre as palestras.

Vamos supor que a sua cidade ainda não tem uma comunidade WordPress que organize eventos presenciais. O que fazer para começar? Pedi conselhos para organizadores de várias comunidades WordPress pelo Brasil, e essas foram as sete dicas que ouvi:

1. Tomar iniciativa

A opinião geral é que os principais elementos são força de vontade e coragem para começar.

Acho que a coisa principal, na verdade, é ir e fazer. Então, você acha um lugar; às vezes, se você não tiver palestrante você mesmo ir palestrar, ou fazer uma mesa redonda, que não precisa de palestrante, e fazer o evento. E a outra coisa mais importante é manter uma periodicidade.

Daniel Kossmann, orgainizador da comunidade de Curitiba e criador da newsletter semanal gratuita sobre WordPress Painel WP

Para quem quer participar, realmente, chega lá, chega junto. Ah, está precisando de ajuda para organizar um evento? Você pode conseguir o espaço, você pode fazer o contato, você pode fazer o café, você pode dar um aperto de mão ali, pra pessoa se sentir muito bem recebida naquele evento. 

Max Denvir, organizador da comunidade de Goiânia

Tentar fazer. Não se preocupar com perfeição, ou “o que é certo, o que é errado”… A gente vai aprendendo aos poucos sobre a comunidade, regras. Começa com o que você souber.

Allysson Souza, organizador da comunidade de São Paulo

2. Buscar pelo menos um colega

Ter companhia é essencial para dividir as tarefas, que são muitas. Antes do evento, é preciso conseguir o local e divulgar; durante o evento, é preciso receber as pessoas e conferir se as palestras estão prontas para serem apresentadas.

Duas pessoas, no mínimo, até no dia do evento, porque às vezes tem uma pessoa falando, a outra está cuidando da organização… Então o mínimo de organizadores, eu colocaria dois, até no dia, para ajudar a organizar as coisas. 

E tem tarefa que a gente sabe a pessoa, ela precisa se comprometer antes e fazer coisas antes, e tem tarefas que são no dia. Então, a gente precisa entender que tipo de colaboração a pessoa X consegue fazer. Porque tem gente que funciona muito bem no dia, mas antes não funciona. E tem gente que é ao contrário – no dia, não funciona muito bem, mas é organizado.

Daniel Kossmann

Também é importante descentralizar a organização para que ela possa continuar sem qualquer um dos organizadores.

Tu que tem que estar preocupado que, se um dia um ônibus te encontrar ele na rua e te levar para o além, isso tem que estar azeitado na mão de outras pessoas para isso funcionar.
O próprio WordPress, a Fundação WordPress surgiu por causa disso: o Matt Mullenweg, um dos criadores do WordPress, teve essa preocupação – “a marca do WordPress está comigo – e se um ônibus me matar ali na esquina?”. É o “bus factor” que a gente chama, né, o “fator ônibus”.

Felipe Elia, organizador da comunidade de Curitiba e criador de um canal do YouTube com tutoriais de WordPress

3. Divulgar os eventos

A divulgação pode ser online ou não. Para divulgar entre a comunidade, você pode usar o canal #eventos do Slack (se você não sabe o que é, leia o segundo artigo dessa série), ou grupos de Facebook, WhatsApp e Telegram. Uma maneira de falar com iniciantes é divulgar em universidades ou grupos de empreendedorismo e marketing digital.

4. Entender o que o público quer aprender

Se você escolher palestras sobre assuntos avançados ou básicos demais para a maioria dos membros, poucas pessoas vão aparecer nos eventos. É por isso que normalmente se vê uma palestra sobre um tema que interessa a todos (como ecommerce, marketing digital, SEO, UX, empreendedorismo, plugins e temas) e uma palestra mais específica sobre desenvolvimento.

Seu primeiro meetup, inclusive, pode ser um encontro para listar os temas que podem ser abordados nos próximos.

Tentar conhecer o perfil do pessoal envolvido e seus interesses. Realmente, projetar os encontros, os conteúdos, o que vai ser falado, tentar projetar de acordo com o pessoal, o perfil.

Marlon Amâncio, organizador da comunidade de Belo Horizonte

Ou você pode “sair da caixa” e apresentar outros conteúdos, além das palestras.

Todo evento, a gente faz uma apresentação explicando o que é o evento, a gente está fazendo, tem um espaço para novidades em que a gente conta o que aconteceu no último mês no WordPress, tem espaço para classificados.

Daniel Kossmann

5. Procurar um local

Até agora, fui a meetups em empresas, cursos de tecnologia e espaços de coworking. Você pode argumentar que ceder o espaço é uma forma de publicidade quase gratuita, já que é de praxe agradecer ao apoio do local na introdução ou no encerramento do meetup. O apoio pode ser apenas por meio do espaço, ou com a inclusão do coffee break.

6. Encontrar palestrantes

Essa é a maior dificuldade para todos os organizadores. É comum haver um formulário para envio de inscrições (pode ser feito com o Google Forms mesmo), mas há poucas submissões. Muitos organizadores procuram ativamente por palestrantes, ou acabam fazendo as palestras eles mesmos, ou criando espaços para discussão aberta (mesa redonda).

É você ir atrás. Não esperar contato. E “ah, eu conheço fulano de tal” – você fala com fulano, tenta conhecer fulano, não esperar o pessoal mandar porque, normalmente não vai mandar. E sempre tem mesa redonda. A gente já fez sobre tema pronto e tema customizado, dá para fazer de um bando de coisa.

Só tem que tomar cuidado para revisar os slides da pessoa, para a pessoa não fazer propaganda. Porque tem gente que, às vezes, “ah, vou falar de algum assunto”, a palestra inteira é sobre a empresa dele e ele não fala sobre o assunto.

Daniel Kossmann

Você pode palestrar, “Ah, poxa, mas eu não sei sobre o que palestrar” – cara, você sabe, sim. As pessoas sempre sabem de alguma coisa. “Ah, mas eu não sei nenhum assunto específico” – faz uma roda de conversa sobre o que você aprendeu sobre WordPress no mês passado. Troca de ideias – o que eu errei no WordPress e nunca mais faço.

Max Denvir

7. Não desista se sentir que fracassou

Até as maiores comunidades do Brasil passam meses sem fazer meetups, ou anos sem fazer WordCamps. Por ser um trabalho voluntário, a disponibilidade da organização flutua (entende por que precisa haver duas pessoas, no mínimo?). Mas manter uma regularidade, mesmo com eventos pequenos, é fundamental para a comunidade crescer.

A própria presença nos encontros varia dependendo do tema ou do dia.

Já teve evento que a gente fez, aqui em Curitiba, que foram sei lá, três organizadores e duas pessoas. E não é por isso que a gente desanimou.

Daniel Kossmann

Eu acho que é muita força de vontade nossa em tentar sempre manter os encontros ativos. Acho que esse é o grande segredo do sucesso. Mas, ainda assim, a gente furou em alguns anos. A gente não teve uma insistência anual. Acho que a gente retomou uns dois anos atrás, esse ano a gente fez bastante encontros, mas agora no final do ano, quando a gente fica mais sobrecarregado de trabalho, a gente acabou dando uma baixa. 

Lucas Simões, organizador da comunidade de Joinville

Mudando de assunto…

Agora quero falar de algo que me incomoda pessoalmente. Só fui a meetups em São Paulo e no Rio até agora, mas nas duas cidades observei que o número de mulheres que aparece sempre é bem menor do que o de homens. Inclusive, nessa série, eu só consegui conversar com uma organizadora, a Anyssa (de São Paulo). É fato (comprovado em estudo) que aqui no Brasil as mulheres enfrentam jornada dupla de trabalho, fora e dentro de casa. E acabam cuidando dos filhos, e dos pais, e dos pais do marido… Enfim, sempre existe algo para fazer.

Conversei com a Anyssa Ferreira (percebeu que ela é a única organizadora que encontrei para entrevistar?) sobre isso e ela trouxe outra perspectiva interessante.

Isso é algo que desde o primeiro dia eu notei, e a gente sabe que um ambiente onde nós, como mulheres, chegamos e só tem homem, nunca vai ser um ambiente 100% confortável para a gente. Não que todo ambiente tenha que ser 100% confortável, a gente sempre tem que estar disposto a sair da nossa zona de conforto. Mas eu acho que para algumas mulheres, uma boa parte, isso é um impeditivo, uma coisa que afasta, e não é uma questão de ser culpa delas, isso, porque ninguém é obrigado, também, a fazer uma coisa, estar num lugar onde não se sente bem.

Anyssa Ferreira, organizadora da comunidade de São Paulo

Concordo com ela. Depois que você conhece o pessoal da comunidade, vê que todo mundo é gente fina. Mas pode ser intimidante entrar numa sala cheia de homem. Então, se você é uma mulher que já pensou em ir a um meetup mas desistiu, quero te pedir: vá. Leve uma colega de trabalho ou faculdade, uma amiga, sua irmã. Mas vá. Porque, quanto mais mulheres aparecem, mais mulheres vão ver que são bem vindas ali. E se tem uma coisa que você tem que levar dessa minissérie, é que a comunidade WordPress recebe as pessoas muito bem.

Espero que você tenha gostado desses três artigos sobre a comunidade WordPress! Caso queira assistir ao vídeo correspondente, corra para o canal de YouTube do WordPress sem Código:

7 dicas para você (re)começar uma Comunidade WordPress local | Série Comunidades, ep. 3

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